domingo, 5 de setembro de 2010

A história de Lena Baker

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"Antes de Barack Obama...
Antes de Martin Luther King JR ...
Antes de Rosa Parks...
Existiu Lena Baker ". 

Lena Baker  foi uma  afro-americana  que viveu no Estado da Geórgia e  foi   executada   aos  42  anos de idade , pelo assassinato  do seu patrão , Ernest Knight ( 67 anos ) . Lena  foi  a única  mulher a ser  executada  na  cadeira elétrica  do Estado da Geórgia , vítima  de  um  atroz  erro  judiciário.

Ernest Knight  era  branco e   proprietário  da fazenda  onde Lena  trabalhava  .  Segundo  o depoimento da acusada, ele  a teria  mantido  em cárcere  privado  impedindo-a de ir embora , dizendo  que a  amava  e que ela lhe devia obediência , pois  era um homem  branco e seu patrão. Os dois chegaram a  travar uma luta  corporal  , ocasião em que Knight  empunhou uma  arma  ameaçando Baker de morte  caso ela   fosse embora. No momento  da luta a arma  disparou  atingindo  Ernest  Knight , ocasionando  sua morte.

O julgamento de Baker  foi presidido pelo juiz  William " Duas Pistolas " Worrill, que passou a  ser alcunhado assim  ( Duas  Pistolas ) ,  pois durante  todo julgamento manteve  duas  pistolas  à  vista . Apesar da  acusada declarar ter   agido em legítima defesa, o júri  composto somente de  homens brancos,  desconsiderou a  tese da  defesa ,  considerando Lena  autora  do assassinato de Ernest Knigth na forma  dolosa. Foi dado à  condenada  pelo governador da Geórgia ,  o prazo de  sessenta  dias para  um pedido de perdão judicial, que  foi negado .

No dia  05 de março de 1941  Lena Baker  sentou-se na  cadeira  elétrica e  aparentemente  tranquila  declarou : " O que  fiz  foi em legítima defesa .  Não tenho nada  contra ninguém  . Estou  pronta  para encontrar Deus , pois  já fui perdoada por Ele " .

Em 2002 a Família Baker  formulou um novo pedido de perdão judicial , que  foi  concedido parcialmente  pelo Conselho da Geórgia do Perdão e Paroles,  o qual  considerou   a  sentença condenatória de Lena Baker  como racista . O Conselho considerou que Baker poderia ter sido condenada a uma pena  de , no máximo, quinze anos . Sessenta  anos  após sua  morte, em 2005, foi concedido o perdão total e  incondiconal a Lena Baker,  com o  reconhecimento que ela   agiu em legítima defesa.

Em 2009  a  história de Lena  Backer  foi tema do filme dirigido por Ralph Wilcox , com  o título original " The Lena Baker Story "  (veja o trailer  aqui ) .

Este  não é o  único caso de  erro judiciário  nos EUA . Há  outras  condenações   de inocentes  - ou que agiram em legítima defesa -  à   cadeira  elétrica .  Eu sou  radicalmetne  contra  a pena de morte  .  Muitas pessoas  criticam o sistema judiciário  brasileiro, mas  prefiro mil  vezes  a lentidão da  justiça do Brasil,   à  rapidez excessiva  do   sistema penal  norte-americano ,  cujos processos tramitam  de forma   apressada ,  sem o tempo necessário  para que o  acusado  possa  exercer  com  eficiência  o direito de  defesa.  É evidente que a  execução de Lena Paker  tem caráter ideológico  e   não foi ditada  apenas pelo pouco tempo que a  acusada  teve  para  promover  sua  defesa. Mas em  muitos  casos , a pressa em  punir o  acusado  faz  com que sejam cometidas  inúmeras  injustiças.

A sabedoria popular  ensina que  " a pressa é inimiga  da perfeição " . Dizem  também que "a justiça  tarda , mas não falha " .  Pena  que  no  caso de Lena Backer  a  justiça   veio   após  60 anos  da sua  execução . "Antes  tarde do que  nunca ", diz ainda  a  sabedoria  popular . E o perdão judicial  de Lena  Backer, apesar de  tardio,  veio para  resgatar  sua   honra e  ,  por consequência , de sua  família .  E para  servir de  exemplo a  outros casos semelhantes ,  que  jamais  seja cometida tamanha  injustiça ! Que o legal ( a lei )  e  o  justo ( a justiça )  sempre andem de mãos dadas.


*Imagem daqui ( veja o trailer ) .

Um comentário:

Simara **(Plantão da beleza)** disse...
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