segunda-feira, 25 de agosto de 2025

E por falar em PODER ...

Na última  vez que passei uma curta temporada de férias em Florianópolis com minha família,  fiquei hospedada por alguns dias em uma locação Airbnb. Ao chegar no local da hospedagem, gostei muito da decoração do apê, em especial  de  duas peças  bem sugestivas em cima do aparador na sala de  estar, o rei e  a  rainha do jogo de xadrez, na cor preta. De imediato imaginei aquelas peças na cor dourada, pois na minha casa não tenho peças decorativas pretas. Apesar de  achar  muito elegante decoração com  detalhes nesta cor, prefiro  estilo mais clean, em tons mais  claros, e gosto muito de peças  douradas. 

Achei as peças interessantes  e passei a refletir sobre quem seria mais poderoso, o rei ou a rainha? Antes de  tudo, refleti  sobre poder... O que significa  ter poder ou ser poderoso(a)? 

Nos meus  estudos de  teosofia  aprendi que o verdadeiro poder é o poder espiritual. Aprendi  também  quanto maior o poder, maior a responsabilidade no  seu uso. O poder, tanto o temporal  como o espiritual, usado de forma irrefletida  pode gerar  consequências,  conforme  o princípio da  causa  e  efeito. Por isso sempre devemos usar o poder, seja temporal, pessoal ou espiritual,  com sabedoria, responsabilidade e equilíbrio, no propósito de fazer o bem, tendo como inspiração o bom, o belo e  a justiça.

Sobre  as peças  decorativas do rei e  da rainha, por coincidência ou sincronicidade, talvez até pela  espionagem no celular via IA, que  deve ter acessado nas minhas conversas algo sobre as peças de xadrez mencionadas, passei a  receber mensagens no facebook  sobre quem  seria  mais poderoso no jogo de  xadrez, o rei ou a rainha? 

Pareceu-me, naquela ocasião,  um tema  sem muita importância,  para  mim pouco importa tal questão, não tenho o hábito de jogar  xadrez. Mas houve uma  época, ainda adolescente,  que eu  costumava jogar, no entanto  não me tornei uma assídua jogadora de  xadrez, até havia  esquecido  um pouco  sobre  como as peças  podem ser movimentadas  no tabuleiro. 

Relembro de um fato ocorrido, quando  eu me encontrava  na sala  de estar do apartamento em Florianópolis  e  resolvi abrir o portão da varanda. Nesse exato momento uma lufada de  vento entrou no recinto derrudando  o rei que estava em cima do aparador, quebrando a peça  na base da cruz (que representa a coroa). O rei ficou "descoroado", enquanto eu  fiquei apreensiva com o ocorrido. Objetos quebrados em casa sempre me deixam com uma sensação não muito boa. Imediatamente procurei uma cola  e por sorte encontrei uma super bonder na cozinha do apê, dentro da geladeira. 

Colei a coroa do rei. Em seguida  enviei uma mensagem pelo WhatsApp,  comunicando à anfitriã  do imóvel Airbnb sobre o ocorrido,  informando-a que eu iria restituir à  proprietária o valor para  reposição da peça. Na ocasião ficou combinado que seria feita a reposição das  duas peças, pois  a anfitriã informou que  eram vendidas somente  em conjunto.  Então pedi para  ela  me enviar a peça quebrada junto com a  rainha, quando fizesse a reposição com as novas peças. 

Ao retornar a Teresina, recebi  pelos correios as peças do rei e da rainha, que  já haviam sido substituídas no apê da locação pelas  novas peças. Por um bom tempo as duas peças, rei e a  rainha, ficaram em cima da mesinha de cabeceira do lado direito da minha cama. Eu sempre na intenção de mudar a cor de preto para dourado,  até  que em data recente  coloquei em prática essa idéia,  pintando de dourado as duas peças. 

O rei e  a  rainha,   agora  dourados, passaram da mesinha de  cabeceira para  o aparador da sala de  estar  do meu apê. O rei com a coroa restaurada, no entanto verfiquei que ainda há vestígios da emenda, na  base da  cruz que representa a coroa.

Percebi  que mesmo  restauradas, peças quebradas poderão não ficar como antes,  restando   vestígios das  emendas,  quando a restauração  não for muito bem sucedida, como nesse caso.  No entanto, mesmo com a  "cicatriz"  no local onde  foi quebrado,  achei que o  rei  ficou bem  melhor na cor dourada. Deve ser mania de alguém como eu que  tem a lua em leão e,  por isso,  gosta de  imaginar   tudo  em  tons dourados, como são os  raios de sol. Na astrologia o sol simboliza o poder espiritual, assim como a  cor  dourada  representa  prosperidade, abundância, simbolizando também sabedoria, nobreza e poder.  


Ao receber as mensagens no facebook sobre o rei e a rainha no jogo de  xadrez,  passei  a refletir sobre quem teria mais poder,  voltando a ter interesse no jogo de xadrez. Procurei relembrar  sobre os movimentos das peças, pois  essa mobilidade é  o fator que determina quais peças  são mais fortes no jogo.  A rainha pode mover-se em qualquer direção (horizontal, vertical e diagonal) e quantas casas quiser, o que a torna capaz de bloquear ataques diretos ao rei, podendo criar ameaças a outras peças do adversário, forçando-o a defender essas peças e, assim, indiretamente protegendo o rei. 

Portanto, no jogo de xadrez  a rainha é uma peça poderosa que frequentemente protege o rei, especialmente em situações críticas. Embora não seja uma regra formal, a rainha é frequentemente usada para bloquear ataques ao rei ou para criar ameaças que forcem o oponente a defender o seu rei, protegendo-o indiretamente. A rainha é a peça mais forte do jogo, com grande mobilidade, e sua habilidade em proteger o rei a torna uma peça valiosa e estratégica.

A rainha, devido à sua mobilidade e força, é frequentemente usada para liderar ataques, mas também para proteger o rei de ataques inimigos, agindo como uma peça de defesa multifuncional

A proteção do rei no xadrez é  crucial, pois  o objetivo  do jogo é dar xeque-mate no rei adversário, ou seja, ameaçá-lo de tal forma que ele não possa escapar do ataque. Portanto, manter o rei seguro é essencial para a vitória e  a rainha desempenha um papel importante nessa proteção. 

Em suma, embora não exista uma regra específica sobre a rainha protegendo o rei, a sua força e mobilidade a tornam uma peça crucial na defesa e proteção da peça mais importante, desempenhando um papel vital no xadrez. 

E o rei? Por que é tão importante  no jogo? Sem dúvidas o rei é a peça mais importante, pois sua captura resulta no fim do jogo, conhecido como "xeque-mate". Embora não seja a peça mais poderosa em termos de movimento (a rainha é mais forte), o objetivo principal de cada jogador é proteger seu rei e atacar o rei  do adversário. 

Fazendo uma analogia com o "jogo da  vida"  podemos  chegar à conclusão que o homem  pode estar em posição de liderança considerada mais importante (geralmente os líderes da humanidade são do gênero masculino),  no entanto sem  uma mulher para dele  cuidar  com sabedoria,  esse poder  de liderança de nada  adianta, pois  sem os cuidados da "dama" a força do "cavalheiro"  poderá ser  facilmente  minada. 

Portanto, de nada  adiante  o poder sem  a sabedoria  necessária, pois o  uso do poder,  como dito anteriormente,  requer muita responsabilidade e  retidão. Principalmente o uso do poder econômico, que propicia poder pessoal. O poder econômico pode construir  coisas belas,  caso ultilizado com  sabedoria, ou pode ser um poder destrutivo, caso usado  de  forma  irracional. 

Na verdade o poder  é a  representação de um potencial, para que seja utilizado ou não.  O verdadeiro poder é aquele  que não sendo utilizado, é  respeitado e operado. Como exemplo podemos ter a seguinte situação: Vamos imaginar um ladrão  entrando em uma casa. O dono da  casa empunha sua arma de proteção pessoal. O ladrão tem duas  alternativas, ou corre e  vai embora ou persiste no propósito do roubo,  disparando a  arma que também traz consigo, optanto pela segunda alternativa.  No confronto com o ladrão, o dono da  casa é  atingido. 

Nesse caso, o mais sábio e  prudente  seria o dono da  casa  não usar o poder (temporal) que imaginava possuir ao empunhar sua  arma, correndo maior risco de ser atingido pelo ladrão. Poderia, em vez disso,  de  alguma  forma buscar naquele  momento e durante sua vida,  o poder espiritual  para sua autoproteção, pois  esse tipo de poder  não pode ser  atingido por arma física. 

Então vamos imaginar  a situação de outra forma: o dono da casa não empunha arma e o  ladrão, ao verificar que aquele  não porta  arma  para sua proteção pessoal, também não dispara a  arma que traz consigo,  utilizando-a apenas  como potencial ameaça. O dono da casa, por sua  vez,  confiando  no  poder da autoproteção espiritual,  sai ileso do assalto. Perde alguns bens materiais levados pelo assaltante, mas sua vida é preservada. 

Moral da  história: "De nada  vale o poder temporal usado sem sabedoria  e  sem o  poder  espiritual". 








quarta-feira, 18 de junho de 2025

O RIO E AS NUVENS


Era um bonito rio que encontrara seu caminho entre colinas, florestas e prados. Uma jubilosa corrente de água, sempre dançando e cantando enquanto descia do topo da montanha. Era muito jovem naquele tempo, e quando chegou na baixada diminuiu a velocidade. Estava pensando sobre ir até o oceano. Um dia notou as nuvens. Nuvens de todos os tipos, cores e formas. Não fez mais nada durante aqueles dias exceto perseguir as nuvens.

Queria possuir uma nuvem, ter uma só para ele. Mas as nuvens flutuavam e viajavam pelo céu, e sempre mudando suas formas. Às vezes pareciam com um urso, outras vezes pareciam com um cavalo. Por causa desta natureza das nuvens, o rio sofreu muito. Seu prazer, sua alegria tinha se tornado em perseguir as nuvens, uma depois da outra. E desesperada, raivosa e triste tornou-se sua vida. Então, um dia, veio um vento forte e levou todas as nuvens do céu. O céu ficou completamente vazio. O rio pensou que sua vida não tinha mais valor, não existiam mais quaisquer nuvens para perseguir. Quis morrer. - Se não existe nenhuma nuvem, para que eu devo viver? Mas como um rio pode tirar sua própria vida? Naquela noite o rio teve a oportunidade de voltar-se para si mesmo pela primeira vez. Ele tinha corrido, por tanto tempo, atrás de algo fora de si próprio que com isso nunca tinha se visto.

Naquela noite teve a primeira oportunidade de se ouvir: os sons da água colidindo contra as margens. Ao escutar sua própria voz, descobriu algo bastante importante.
 Percebeu que o que vinha procurando estava dentro de si mesmo. Descobriu que as nuvens não são nada além de água. As nuvens nascem da água e voltam à água. E descobriu que também era água. Na manhã seguinte, quando o sol brilhava no céu, descobriu algo novo e muito bonito. Viu o céu azul pela primeira vez. Nunca antes havia notado. Tinha estado interessado apenas nas nuvens, e deixara de perceber o céu, que é a casa de todas as nuvens.
Nuvens são mutáveis e inconstantes, mas o céu é estável. Só então percebeu o imenso céu que tinha estado em seu coração desde o inicio.

Esta percepção trouxe-lhe paz e felicidade. Vendo o vasto e maravilhoso céu azul, soube que sua paz e estabilidade nunca mais seriam perdidas. Naquela tarde as nuvens voltaram, mas desta vez não quis possuir nenhuma delas. Podia admirar a beleza de cada nuvem e podia sorrir para todas elas. Quando uma nuvem se aproximava, saudava com carinho e respeito. Quando a nuvem desejava ir embora, acenava feliz e com ternura. Paz e harmonia existiam entre o rio e as nuvens. Naquela noite outra coisa maravilhosa aconteceu. Ao abrir completamente o seu coração para o céu da noite, recebeu a imagem da lua cheia - bonita, redonda, como uma jóia rara - dentro de si. Jamais imaginara poder receber imagem tão bela. A fresca e bela lua viaja no céu.

Quando a mente - rio da vida - está livre, a imagem da bela lua refletirá em cada um. Assim estava a mente do rio naquele momento. Recebeu a imagem daquela lua em seu coração, e a água, as nuvens e a lua deram-se as mãos e caminharam vagarosamente
 em direção ao oceano.


ooOoo


Que o rio de cada um de nós possa refletir a bela lua que existe dentro do nosso coração.
 


  Recebi o texto por e-mail e desconheço a autoria

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Como o Transtorno de Personalidade Narcisista afeta os relacionamentos



Durante o período que  exerci jurisdição  em Varas de Família,  tive a oportunidade de tomar conhecimento  dos   vários tipos  de   relacionamentos familiares  disfuncionais,  os quais  eram muitas  vezes noticiados nos processos de Divórcio e  Dissolução de União Estável.  Em muitos deles, alguma das partes, cônjuge ou companheiro,  apresentava  comportamento com características  de personalidade narcisista e  nesses casos o rompimento da relação  era sempre traumático. Também era frequente a parte que tinha esse distúrbio usar os filhos como peças de barganha no fim do relacionamento.  Por isso,  muitas  vezes   havia a necessidade de um laudo psicossocial, quado o processo era encaminhado ao setor do Núcleo de Assessoria Psicossocial das Varas de Família ( NUAPSSOCIAL), onde  um laudo   era elaborado  para nortear as decisões proferidas nos autos.  

Lembro de um caso de dissolução de união estável  onde a parte autora  alegava que conviveu por  mais de  dez  anos  com o ex-companheiro (eles  já estavam separados  quando a  ação foi ajuizada)  e somente  decorrido esse  tempo ela descobriu  que  ele  era portador  de TPN (transtorno de personalidade narcisista),  quando em decorrência dos  abusos  sofridos nesse relacionamento,  teve de  fazer psicoterapia e soube através do seu psicoterapeuta que o ex-companheiro  tinha comportamento com características desse distúrbio de personalidade. 

Nesse caso ela  teve de buscar uma medida protetiva no Juízo de Violência Doméstica, pois  quando decidiu por fim ao relacionamento abusivo passou a  ser  vítima de "stalking" (perseguição reiterada a alguém) praticado pelo ex-companheiro, que não aceitava  ser  rejeitado. No processo eram  noticiados os abusos sofridos pela  requerente, cujo relacionamento deixou-a bastante traumatizada, passando a ter ansiedade e até  depressão. 

Percebendo que isso ocorria em vários processos, procurei pesquisar  sobre esse transtorno e descobri que ele é mais  comum do que eu imaginava,  no entanto não é muito estudado na psicologia, somente nos últimos anos  vem chamando mais a  atenção  dos psicoterapeutas. 

A psicanálise tem a mitologia como fonte de inspiração  no estudo da psique humana, tendo o mito como modelo na busca para a  compreensão dos processos  inconscientes. Portanto o arquétipo da  personalidade narcisista  é abordado  na mitologia grega. Diz o mito  que Narciso era um jovem caçador muito bonito. Um certo dia, ao se debruçar sobre um lago e ver a sua aparência pela primeira vez, ele ficou apaixonado pela própria imagem. Então  passou a  observar com muita frequência a imagem refletida  na  água, admirando a sua beleza sem saber que se tratava dele mesmo. Até que um certo dia tentou tocar na imagem, quando caiu no rio e  morreu afogado. 

Narciso ( pintura de Caravaggio ) 

O Transtorno de Personalidade Narcisista é uma desordem de personalidade. A preocupação em ser grandioso, o exibicionismo, sentimento de indiferença em relação ao outro, a ausência de empatia e a incapacidade de se relacionar de forma satisfatória,  são aspectos que definem o narcisismo, segundo Anna Karynne Melo, psicóloga, psicoterapeuta e professora da Universidade de Fortaleza. Ela  esclarece: “O narcisismo é  um transtorno que está no nível de desorganização da personalidade, que significa dizer que as funções do próprio eu estão comprometidas, ou seja, as funções de auto-observação”

Pesquisando sobre o assunto, descobri algumas das características do narcisista e  do  relacionamento com uma pessoa com esse transtorno, que listo a seguir:
 
  • Intensa auto concentração de  si mesmo  e  ego  inflado, com intesidade também  na autopromoção, arrogância, falta de  empatia; 
  • Busca incansável pelas próprias necessidades sem se preocupar com o  outro; 
  • Aparente  elevada autoestima, no entanto é somente aparência, pois na realidade  há muita insegurança, no fundo sente que  é uma  pessoa desprezível e por isso vive um falso  eu  ou "alter ego";
  • Dependência  de afeto e validação de seus atos pelo  outro (para manter o sentido de si mesmo) e, ao mesmo tempo, não se preocupa com a necessidade do outro; 
  • Sensação de direito e exigência de admiração constante e excessiva;
  • Exagero em  falar sobre suas  conquistas e talentos;
  • Intolerância a críticas, não aceitando  nenhum tipo,  nem a  crítica construtiva;
  • Dificuldade em pedir desculpas, sempre acha que está certo em tudo;
  • Julga-se merecedor de todo tipo de elogios, acha-se especial;
  • Prazer em depreciar e criticar a pessoa  que lhe fornece suprimento emocional, podendo tornar-se   um vampiro  de emoções; 
  • Ausência de consciência e falha de caráter, podendo  ser explorador financeiro da vítima do abuso, pois entende que a pessoa tem de retribuir/pagar  por se relacionar com uma pessoa tão especial quanto ele(a); 
  • Enorme capacidade de  manipulação,  pois  geralmente os narcisistas são charmosos, inteligentes  e encantadores, usando seu poder pessoal para envolver  e manipular  o outro; 
  • Procura realizar-se nos filhos, tendo estes  como extensão dele(a),  mostrando-os como um troféu a ser  exibido; 
  • Geralmente procura relacionamentos com pessoas que possibilite sua validação, gerando status e padrão social; 
  • Tem necessidade de  retratar os fatos conforme sua visão narcisista, onde muitas vezes utiliza mentiras para camuflar a  verdade,  numa visão distorcida da realidade;
  • Vê  o outro  como um objeto e não como uma pessoa,  onde o relacionamento  é considerado como uma "caçada", no qual o narcisista é  o  predador ; 
  • Não aceita ser desobedecido, exercendo um controle excessivo  sobre o outro;
  • Quando  percebe que  está perdendo o controle e não mais consegue manipular o outro, sente muita raiva e pode tornar-se  agressivo,  com ofensas verbais,  podendo também  cometer  agressão física. 
O narcisismo,  assim como o autismo, apresenta-se em espectro, portanto  há níveis de narcisismo e os  tipos mais comuns  são assim delineados: 

O narcisismo  grandioso, onde  a pessoa é extrovertida, exibicionista, arrogante, com enorme senso de superioridade,  aparentando  ser confiante e feliz (mas é só aparência, no fundo é inseguro e precisa de constante validação ).

O narcisismo vulnerável,  no qual o  portador  costuma ser  tímido, ansioso, tendência a baixa auto-estima e ao vitimismo,  no entanto usa isso para manipular  e  explorar o outro, buscando atenção constante e validação,  com exagerado  egocentrismo. 

Há ainda o narcisismo patológico,  o tipo mais grave que beira a psicopatia, no qual a pessoa é altamente manipuladora, super arrogante,  inflama  suas  conquistas fantasiando seu sucesso; costuma exigir atenção e  admiração excessivas, falta de empatia nas interações sociais e exploração do outro, inveja do sucesso alheio. 

Existe  também o tipo intermediário  entre o narcisismo grandioso e o patológico, quando a pessoa no decorrer da sua existência,  com a idade mais avançada,  vai  acentuando os traços e  características narcisistas. 

No entanto, apresentar alguns dos traços narcísicos não significa que uma pessoa tenha o transtorno,  pois algumas das características do narcisismo estão presentes em todos nós, o que significa que em algum  momento podemos ser egoístas, buscamos as nossas necessidades em primeiro plano e não conseguimos ficar atentos às necessidades do outro. Diferente disso, o transtorno é um conjunto de características disfuncionais que não depende de um contexto específico, ou de um momento, é um modo constante de funcionamento da personalidade do indivíduo. 

Dizem os especialistas que o narcisismo é um transtorno que não tem cura e pode até ficar mais acentuado na velhice. No entanto o  narcisista pode buscar tratamento ao ser diagnosticado, para aprender a lidar com seus gatilhos emocionais e a partir disso procurar ter relações mais saudáveis e  menos abusivas, sem causar tanto sofrimento ao outro.

Porém, dizem  os estudiosos no assunto,  que o(a)  narcisista dificilmente irá se identificar como uma pessoa com traços narcisistas. Ou seja, ele ou ela jamais irá admitir, salvo raras exceções, que  possui esse  transtorno de personalidade, pois quase sempre suas aspirações são desmedidas. Para a pessoa narcisista é normal e merecedor que seja o centro das atenções e faz tudo para isso. Para essa pessoa é ridículo tentar identificar-se como sendo narcisista por ser como  é,  pois se acha especial e merecedor(a)   de todos os elogios, aplausos e bajulações. 

Diante disso, relacionamentos   com   narcisistas  são muito traumáticos,  pois eles  são  ególatras, não são empáticos, pouco se ocupam com o outro e sempre estão preocupados com aquilo que é importante para eles  mesmos. Assim, para lidar com o narcisista é preciso ser muito empático e deixar claro a individualidade que cada um dos envolvidos tem, bem como impor limites. Conviver com alguém que tenha esse distúrbio de personalidade envolve muito cuidado e enorme sacrifício, pois o(a) narcisista se coloca como a pessoa mais importante da relação, exigindo que o outro sempre esteja ao seu dispor.

Os estudiosos  também enfatizam que o narcisista não  se  apresenta com suas caracterísitcas de personalidade disfuncional para todos, elegendo suas "vítimas", as quais  lhes dão o suprimento emocional que necessitam. Portanto, com as pessoas em geral os narcisistas não demonstram seu transtorno de personalidade, posto que possuem um "alter ego", usam máscaras nas relações sociais  e  podem até demonstrar simpatia,  pois geralmente  são  pessoas muito inteligentes e encantadoras. 

As "vítimas" em potencial  dos narcisitas, ou seja, as pessoas que  podem lhes  fornecer  suprimento emocional, geralmente  são sensíveis, empáticas e carentes,  apresentando dependência  emocional. Por isso  também necessitam de ajuda através de psicoterapia para  vencer  essa fragilidade emocional. 

Dizem ainda os estudiosos, que o narcisista quase  sempre  tem mais de uma pessoa para suprimento emocional, por isso a  tendência  de  triangulação nos seus  relacionamentos  amorosos. Ele (ou ela)   pode descartar e  colocar  a vítima  em  "stand by"  por algum  tempo,  porém voltando ao ciclo de  abuso  quando sente  necessidade,  convencendo a vítima  a retornar  a relação. Isso pode  perdurar por muitos  anos, com idas e vindas,  pois o(a)  narcisista quase  sempre coloca  a vítima  em sua " prateleira"  de suprimento  quando faz o "descarte"  e passa a buscar suprimento em outra pessoa. No entanto  o descarte não significa que  desistiu, a relação fica apenas suspensa,  podendo ser  reiniciada posteriormente, gerando um círculo vicioso. 

Em outra situação, quando é descartado(a)   pela vítima  que chega ao limite do abuso,  o/a narcisista nunca  acredita  no rompimento definitivo do relacionamento, pois se  considera insubstituível, ocasião em que espera  a  oportunidade  certa para novamente  retornar a relação, quando  o ciclo de  abuso  reinicia  cada  vez com mais intensidade. Por isso  é  tão  difícil o rompimento,  quando a relação  já se  tornou  tão  tóxica  ao ponto da vítima  ficar emocionalmente  dependente,  necessitando  de psicoterapia  para  a cura dessa dependência emocional. 

Não há um consenso entre os estudiosos  sobre  como é criada  a personalidade narcisista, sabendo-se apenas que esse distúrbio de personalidade disfuncional tem origem na infância, quando a personalidade da criança está sendo formada. Ou na adolescência, quando já formada a personalidade, porém o adolescente permanece com traços infantis por algum trauma, com personalidade mal formada.

Falta de limites na educação,  com excessiva permissividade  dos pais e elogios exagerados aos filhos, podem causar esse transtorno, caso exista uma tendência hereditária. Portanto  é  um somatório do meio e das tendências.   Maus tratos na infância e críticas excessivas que causam traumas, também poderão dar origem ao transtorno narcisista, dizem os especialistas. Isso não significa que  todas as pessoas que sofrem maus tratos na infância se tornem narcisistas, é preciso que a  pessoa  possua traço negativo de  caráter, para desenvolver  uma personalidade com  esse transtorno

Por fim, vale ressaltar que este artigo é somente uma abordagem superficial sobre o tema (pois não sou psicóloga nem psicanalista)  e visa somente chamar a atenção para um ponto tão pouco explorado na psicologia forense.

Para aqueles que gostariam de saber mais sobre esse transtorno, recomendo os filmes "Garota Exemplar" e "Grandes Olhos", os quais retratam através dos seus personagens o Transtorno de Personalidade Narcisista. Confira nos trailers a seguir:
                                                       







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