quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É primavera !


... Tens de acreditar que os ventos soprarão; crer na grama nos dias de neve.
É por essa razão que os pássaros podem cantar em seus dias mais escuros,
eles acreditam na primavera.  ( Malloch ) 




Encantação da Primavera



Brotam brotinhos na tarde feita
Só de suspiros:
O amor é um vírus...
Apenas o general de bronze continua de bronze!
O vento desrespeita todos os sinais do tráfego.
Velhinhos de gravata borboleta
Sobem e descem como autogiros.
O guarda de trânsito virou catavento.
As mulheres são de todas as cores como esses
manequins expostos nas vitrinas,
E onde é que estão, me conta, as tuas esperanças
mortas?!
Lá vão elas – tão lindas – vestidas de verde
Como Ofélias levadas pelos rios afora
Enquanto eu nem me atrevo a olhar para o alto:
repara se não é
O Espírito Santo que vem descendo em lento vôo
E até ele, até Ele, deve estar assim, – todo irisado
Como os olhos das crianças, como as maravilhosas
bolinhas-de-gude!

Mário Quintana


                                     
    do livro:"Primavera cruza o rio" - Ed. Globo, 1985.




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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Eu passarinho ...



Spread Your Wings (abra suas asas)
by Amanda Cass



Poeminha do Contra 
(Mario Quintana)

Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho! 


Para o Mario 
( Rodolfo Domenico Pizzinga) 

Todos aqueles que cá estiveram
Atravancando teu caminho,
Muito bobos não conheceram
Teu lindo Eu-Passarinho.

E então, como está tudo por aí?
Tu encontraste a Paz?
Muito mudou por aqui:
Guerras em lugar de Paz.

Mario: pede por todos nós.
Bem que estamos precisando.
Pois, em uma casquinha de noz,
A Humanidade vai navegando.

Sei que, com tua Poesia,
És capaz de transmutar,
Toda e qualquer sobrevalia.

Toda e qualquer sobrevalia
És capaz de transmutar
Com tua linda Poesia.

Transmuta, ó Rei dos Quintanares
Os Corações de teus Irmãos
Em Sancta com lindos Altares.



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Conheça  o site do Dr.  Rodolfo Pizzinga ,  o autor desse adorável poema  em homenagem ao   grande Mario Quintana .  Ambos   nunca passarão ... sempre passarinho!


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*Fonte da imagem : Amanda Cass Artworks


sábado, 11 de setembro de 2010

Oração à Justiça



Justiça para  as mulheres  agredidas,
na  justa  medida
Justiça para  os   agressores, 
na justa medida

Justiça para os opressores,
na justa medida
Justiça para  os desvalidos , 
na justa medida 

Justiça para os oprimidos, 
na justa medida
Justiça para os réus da  vida,
na justa medida

Justiça para os   injustiçados,
na justa medida
Justiça para os maltratados,
na justa medida

Justiça para os que  têm fome ,
na justa medida
Justiça para os que têm sede de Justiça,
na justa medida .



Por Tânia Regina S. G.
11/Setembro/2010

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*Poesia registrada no Literar.Org

*Imagem encontrada  no  banco de imagens do Google


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mediação

  
mediação realmente é a  tendência do  Direito moderno. No Canadá quem  conduz  a mediação  pode    fazer o  julgamento ,  caso as partes  não celebrem  acordo .  Veja   a   notícia a  seguir, da Assessoria de Comunicação da AMB .




Juiz do Canadá que media também pode julgar o conflito

O Judiciário canadense, assim como o brasileiro, cada vez mais tem incentivado a mediação como meio de solucionar os conflitos. A diferença é que naquele país o juiz que conduz a conciliação pode ser o mesmo que julgará a questão no caso de as partes não chegarem a um acordo, afirmou David Wright, diretor interino do Tribunal de Direitos Humanos de Ontário. Wright explicou aos magistrados que participam do I Congresso Internacional da AMB que essa é uma prática usual na corte.

Wright explicou as peculiaridades do processo no Tribunal de Direitos Humanos durante visita à corte feita pelos participantes do congresso da AMB, nesta quarta-feira (9). De acordo com ele, o juiz e também mediador só continua na causa com o consentimento das partes. Além disso, há preocupação por parte dos membros da corte de manterem-se neutros durante a mediação, justamente para não passarem para os envolvidos a posição que adotariam no caso de o conflito ser submetido à via judicial.

O Tribunal de Direitos Humanos de Ontário é peculiar, pois não faz parte do Poder Judiciário. Foi criado pelo governo da província de Ontário e seus integrantes não dispõem das mesmas garantias dos juízes, entre as quais a vitaliciedade. Pelo contrário, eles têm mandato de cinco de anos. “Temos um longo caminho a seguir até a independência final”, afirmou Wright.

Outra característica do tribunal diz respeito às sentenças, que são longas e não raro chegam a mais de 100 páginas. “As decisões refletem os valores fundamentais”, afirmou o diretor da corte.
Não são poucos os questionamentos que chegam ao tribunal. Em 2009, a corte julgou 3.407 ações judiciais, das quais 50% diziam respeito à falta de acessibilidade para pessoas portadoras de necessidades especiais, inclusive nos locais de trabalho. Outros 23,2% tratavam de questões relacionadas à gravidez ou à identidade sexual. Já 19,8% eram contra a discriminação por raça; 13,7% por origem étnica; 12,9% por idade; e 9,9% por ascendência. Esses, no entanto, são apenas alguns exemplos de temas que chegam à corte.

Além da função judicante, o Tribunal de Direitos Humanos de Ontário cumpre um papel importante. “O governo decidiu que o tribunal promoveria a educação do público nessa área de Direitos Humanos. E assim, foi criado o centro de auxílio de Direito Humanos, uma clínica comunitária, de atendimento ao público”, explicou Wright.

Atividade complementar

A visita à corte de Direitos Humanos foi feita por um grupo de magistrados e faz parte das atividades do I Congresso Internacional que a AMB realiza no Canadá. No mesmo dia, outro grupo de juízes pôde conhecer um pouco mais da área trabalhista, em visita realizada à Comissão de Relações Laborais de Ontário.

O I Congresso Internacional da AMB será realizado até o próximo dia 17, em três cidades. A primeira foi Toronto. Nesta quinta-feira (10), os magistrados seguem para Montreal e, no dia 15, para Ottawa.


*Notícia  extraída do Portal da AMB , que  permite  a  reprodução total ou parcial do  conteúdo, desde que citada a fonte.

*Fonte da imagem aqui

domingo, 5 de setembro de 2010

A história de Lena Baker

 Clique para ampliar

"Antes de Barack Obama...
Antes de Martin Luther King JR ...
Antes de Rosa Parks...
Existiu Lena Baker ". 

Lena Baker  foi uma  afro-americana  que viveu no Estado da Geórgia e  foi   executada   aos  42  anos de idade , pelo assassinato  do seu patrão , Ernest Knight ( 67 anos ) . Lena  foi  a única  mulher a ser  executada  na  cadeira elétrica  do Estado da Geórgia , vítima  de  um  atroz  erro  judiciário.

Ernest Knight  era  branco e   proprietário  da fazenda  onde Lena  trabalhava  .  Segundo  o depoimento da acusada, ele  a teria  mantido  em cárcere  privado  impedindo-a de ir embora , dizendo  que a  amava  e que ela lhe devia obediência , pois  era um homem  branco e seu patrão. Os dois chegaram a  travar uma luta  corporal  , ocasião em que Knight  empunhou uma  arma  ameaçando Baker de morte  caso ela   fosse embora. No momento  da luta a arma  disparou  atingindo  Ernest  Knight , ocasionando  sua morte.

O julgamento de Baker  foi presidido pelo juiz  William " Duas Pistolas " Worrill, que passou a  ser alcunhado assim  ( Duas  Pistolas ) ,  pois durante  todo julgamento manteve  duas  pistolas  à  vista . Apesar da  acusada declarar ter   agido em legítima defesa, o júri  composto somente de  homens brancos,  desconsiderou a  tese da  defesa ,  considerando Lena  autora  do assassinato de Ernest Knigth na forma  dolosa. Foi dado à  condenada  pelo governador da Geórgia ,  o prazo de  sessenta  dias para  um pedido de perdão judicial, que  foi negado .

No dia  05 de março de 1941  Lena Baker  sentou-se na  cadeira  elétrica e  aparentemente  tranquila  declarou : " O que  fiz  foi em legítima defesa .  Não tenho nada  contra ninguém  . Estou  pronta  para encontrar Deus , pois  já fui perdoada por Ele " .

Em 2002 a Família Baker  formulou um novo pedido de perdão judicial , que  foi  concedido parcialmente  pelo Conselho da Geórgia do Perdão e Paroles,  o qual  considerou   a  sentença condenatória de Lena Baker  como racista . O Conselho considerou que Baker poderia ter sido condenada a uma pena  de , no máximo, quinze anos . Sessenta  anos  após sua  morte, em 2005, foi concedido o perdão total e  incondiconal a Lena Baker,  com o  reconhecimento que ela   agiu em legítima defesa.

Em 2009  a  história de Lena  Backer  foi tema do filme dirigido por Ralph Wilcox , com  o título original " The Lena Baker Story "  (veja o trailer  aqui ) .

Este  não é o  único caso de  erro judiciário  nos EUA . Há  outras  condenações   de inocentes  - ou que agiram em legítima defesa -  à   cadeira  elétrica .  Eu sou  radicalmetne  contra  a pena de morte  .  Muitas pessoas  criticam o sistema judiciário  brasileiro, mas  prefiro mil  vezes  a lentidão da  justiça do Brasil,   à  rapidez excessiva  do   sistema penal  norte-americano ,  cujos processos tramitam  de forma   apressada ,  sem o tempo necessário  para que o  acusado  possa  exercer  com  eficiência  o direito de  defesa.  É evidente que a  execução de Lena Paker  tem caráter ideológico  e   não foi ditada  apenas pelo pouco tempo que a  acusada  teve  para  promover  sua  defesa. Mas em  muitos  casos , a pressa em  punir o  acusado  faz  com que sejam cometidas  inúmeras  injustiças.

A sabedoria popular  ensina que  " a pressa é inimiga  da perfeição " . Dizem  também que "a justiça  tarda , mas não falha " .  Pena  que  no  caso de Lena Backer  a  justiça   veio   após  60 anos  da sua  execução . "Antes  tarde do que  nunca ", diz ainda  a  sabedoria  popular . E o perdão judicial  de Lena  Backer, apesar de  tardio,  veio para  resgatar  sua   honra e  ,  por consequência , de sua  família .  E para  servir de  exemplo a  outros casos semelhantes ,  que  jamais  seja cometida tamanha  injustiça ! Que o legal ( a lei )  e  o  justo ( a justiça )  sempre andem de mãos dadas.


*Imagem daqui ( veja o trailer ) .